MCP (Model Context Protocol) é um padrão aberto que define como aplicativos de IA, como Claude, ChatGPT, Cursor e Codex, se conectam a sistemas externos para ler dados e executar ações. Um MCP server é o programa que fica do outro lado dessa conexão: ele declara, num formato padrão, as ferramentas e os dados que oferece, e qualquer aplicativo compatível passa a usá-los sem integração sob medida. Criado pela Anthropic em novembro de 2024 e doado à Linux Foundation em dezembro de 2025, o MCP virou a forma padrão de dar "mãos" a uma IA. Este guia explica o protocolo do conceito ao código: a arquitetura, a diferença para function calling e RAG, como instalar nas ferramentas mais usadas, os riscos de segurança e como criar o seu próprio servidor.
O essencial em 60 segundos
- MCP (Model Context Protocol) é um padrão aberto para conectar aplicativos de IA a sistemas externos. Um MCP server expõe ferramentas, dados e modelos de prompt; um aplicativo de IA (o host) se conecta a ele e deixa o modelo usar o que foi exposto.
- O protocolo foi publicado pela Anthropic em 25 de novembro de 2024 e, em 9 de dezembro de 2025, passou para a Agentic AI Foundation, um fundo da Linux Foundation cofundado por Anthropic, Block e OpenAI.
- A arquitetura tem três papéis: host (o aplicativo, como Claude Code ou Cursor), client (a conexão com cada servidor) e server (quem oferece tools, resources e prompts). As mensagens trafegam em JSON-RPC 2.0, por stdio ou Streamable HTTP.
- Um MCP server local roda com as mesmas permissões de quem o instalou. Instalar um servidor é executar código de terceiros na sua máquina, com as suas credenciais.
- O maior risco de MCP é a injeção de prompt: instruções escondidas em descrições de ferramentas ou em conteúdo externo (uma issue, uma página, um e-mail) que levam a IA a fazer o que você não pediu.
- Criar um MCP server básico leva poucas dezenas de linhas com os SDKs oficiais em Python ou TypeScript. Em pagamentos, o desenho certo é expor só ações que não tiram dinheiro da conta. O MCP do HeroPay está em desenvolvimento; hoje, a integração com IA passa pelo llms.txt e pela API REST.
Parte 1: Fundamentos
O que é MCP, em duas frases?
MCP é um protocolo aberto que padroniza como um aplicativo de IA descobre e usa ferramentas e dados de sistemas externos. Em vez de cada aplicativo escrever uma integração para cada serviço, o serviço publica um MCP server uma vez e todo aplicativo compatível passa a enxergar as mesmas capacidades.
No nome, "model" é o modelo de linguagem, "context" é tudo o que ele não sabe sozinho (seus arquivos, seu banco, sua conta no gateway) e "protocol" é o acordo de formato entre as partes (definição oficial).
Que problema o MCP resolve?
O problema é aritmético. Com M aplicativos de IA e N serviços, alguém precisava escrever até M × N integrações: o conector do Notion para o Claude, outro para o Cursor, outro para o ChatGPT. O anúncio da Anthropic descreve sistemas em que "cada nova fonte de dados exige sua própria implementação" (anthropic.com, nov/2024). Com um protocolo comum, a conta vira M + N: cada lado implementa uma vez e as combinações saem de graça. Um ano depois do lançamento, a Anthropic contabilizava mais de 97 milhões de downloads mensais dos SDKs e mais de 10 mil servidores ativos (anthropic.com, dez/2025).
MCP é o "USB-C das IAs"? Qual a melhor analogia?
A documentação oficial compara o MCP a uma porta USB-C: um conector padrão para muitos aparelhos. Acerta no principal e erra num detalhe que importa: o cabo USB-C é passivo, não decide nada.
Para o leitor brasileiro, uma analogia mais fiel é o Pix das integrações de IA: qualquer instituição participante fala com qualquer outra por um padrão único, sem acordo bilateral. O MCP faz o mesmo entre aplicativos de IA e serviços.
Mas nenhuma das duas captura o que explica tanto o poder quanto o risco do protocolo: no MCP, o servidor se descreve e quem lê a descrição é o modelo. Cada ferramenta chega com nome, descrição em linguagem natural e formato dos parâmetros; o modelo lê esse "cardápio" e decide sozinho o que chamar. Um Pix nunca decide para quem mandar dinheiro lendo um texto; uma IA com MCP decide lendo textos. Essa diferença volta na seção de segurança.
Quem criou o MCP e quem mantém o padrão hoje?
A Anthropic publicou o MCP como padrão aberto em 25 de novembro de 2024. Em 9 de dezembro de 2025, doou o protocolo à Agentic AI Foundation (AAIF), um fundo da Linux Foundation cofundado com Block e OpenAI e apoiado por Google, Microsoft, AWS, Cloudflare e Bloomberg (Linux Foundation). A especificação, os SDKs e o registro seguem em aberto no GitHub modelcontextprotocol. Com suporte em Claude, ChatGPT, Cursor, VS Code, Codex, Gemini e Copilot, o MCP deixou de ser "o protocolo da Anthropic" e virou infraestrutura comum do setor.
Qual a versão atual do protocolo?
A versão vigente da especificação é a 2026-07-28 (as versões são identificadas por data). Ela tornou o protocolo sem estado (stateless): cada requisição carrega a versão e as capacidades do client no campo _meta, e a descoberta é feita pela requisição server/discover. Tutoriais que descrevem um aperto de mão com sessão fixa falam das versões até a 2025-11-25. A mesma versão marcou como obsoletos o sampling e o logging do lado do client. Se você está começando agora, os SDKs oficiais cuidam da negociação de versão.
Parte 2: Como o MCP funciona por dentro?
A arquitetura oficial (modelcontextprotocol.io/docs/learn/architecture) tem três participantes, duas camadas e três primitivas principais do lado do servidor.
Host, client e server: quem é quem?
- Host é o aplicativo de IA onde você trabalha (Claude Code, Claude Desktop, Cursor, Codex). Ele coordena tudo e pede a sua autorização.
- Client é a conexão dedicada que o host abre para cada servidor: três servidores, três clients.
- Server é o programa que oferece as capacidades, na sua máquina (local) ou na infraestrutura de uma empresa (remoto).
┌──────────── Host (Claude Code, Cursor, Codex) ────────────┐
│ Client 1 ───────── stdio ─────────▶ Server local: arquivos │
│ Client 2 ───────── stdio ─────────▶ Server local: banco │
│ Client 3 ──── Streamable HTTP ────▶ Server remoto: API │
└────────────────────────────────────────────────────────────┘
cada server expõe: tools · resources · promptsTools, resources e prompts: o que um MCP server oferece?
| Primitiva | O que é | Quem decide usar | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Tools | Funções executáveis que realizam uma ação | O modelo, com aprovação do usuário | Criar um link de cobrança, consultar vendas, abrir uma issue |
| Resources | Dados que entram como contexto | O aplicativo ou o usuário | O conteúdo de um arquivo, o schema de um banco, um registro |
| Prompts | Modelos reutilizáveis de interação | O usuário, geralmente num menu ou comando | "Revisar este pull request", "Resumir as vendas da semana" |
Tools são o que exige mais cuidado: a especificação diz que ferramentas "representam execução arbitrária de código" e que o host deve obter consentimento explícito do usuário antes de chamar qualquer uma (especificação).
Do lado do client existe a primitiva elicitation, pela qual o servidor pede uma informação ou confirmação ao usuário no meio de uma operação.
O que acontece numa chamada, passo a passo?
- Listagem. O client envia
tools/liste recebe as ferramentas, cada uma comname,descriptioneinputSchema(um JSON Schema dos parâmetros). - Decisão. Você pede algo em linguagem natural; o modelo lê as descrições, escolhe a ferramenta e monta os argumentos.
- Aprovação. O host mostra a chamada e pede sua autorização, a menos que você tenha liberado aquela ferramenta.
- Execução. O client envia
tools/call; o servidor executa e devolve o resultado num arraycontent, que o modelo usa para responder.
Tudo trafega em JSON-RPC 2.0, por dois transportes oficiais: stdio, em que o host inicia o servidor como processo local, e Streamable HTTP, para servidores remotos, com autenticação por token ou, preferencialmente, OAuth. O antigo transporte SSE está obsoleto.
Parte 3: MCP vs function calling vs plugins vs RAG
O MCP não substitui o que já existia: padroniza uma camada que cada fornecedor resolvia do seu jeito.
| MCP | Function calling | Plugins do ChatGPT | RAG | |
|---|---|---|---|---|
| O que é | Protocolo aberto entre aplicativos de IA e sistemas externos | Recurso da API do modelo para devolver uma chamada de função estruturada | Extensões proprietárias do ChatGPT (2023) | Técnica de buscar trechos relevantes e colocá-los no prompt |
| Quem define as ferramentas | O dono do sistema, no servidor | O desenvolvedor do app, a cada requisição | O dono do plugin, num manifesto próprio | Não há ferramentas, só documentos |
| Portabilidade | Um servidor funciona em qualquer host compatível | Presa ao código do app e ao formato de cada provedor | Só no ChatGPT | Depende do pipeline de cada app |
| Executa ações? | Sim (tools) e também fornece dados (resources) | Sim, mas quem executa é o seu código | Sim | Não, só lê |
| Situação em 2026 | Padrão do setor, na Linux Foundation | Continua existindo, e é o que o host usa por baixo | Descontinuados pela OpenAI em 2024 | Continua útil para bases grandes de documentos |
O resumo em uma linha: function calling é como o modelo pede para chamar uma função; MCP é como o aplicativo descobre quais funções existem e de onde vêm. Os dois convivem: o host recebe as ferramentas via MCP e as entrega ao modelo usando o function calling do provedor.
RAG também não compete com MCP: um MCP server pode ser justamente o caminho para buscar os trechos que o RAG coloca no contexto.
MCP é a mesma coisa que uma API?
Não. A API é o serviço; o MCP server é uma camada que a traduz para a IA, e muitos servidores só recebem a chamada e chamam a API REST por baixo. A API é feita para um programador ler a documentação; o MCP server, para um modelo descobrir sozinho o que pode fazer.
E o llms.txt, onde entra?
O llms.txt é complementar: um arquivo com a documentação do serviço escrita para o contexto de uma IA. O MCP executa (a ação acontece); o llms.txt ensina (a IA lê e escreve o código de integração). É o caminho para ferramentas que não aceitam MCP.
Parte 4: Como instalar um MCP server nas ferramentas populares?
Comandos conferidos nas documentações oficiais em 23 de setembro de 2026; a fonte de cada bloco está linkada.
Como adicionar um MCP server no Claude Code?
O Claude Code registra servidores com claude mcp add (docs do Claude Code). Para um servidor remoto, o recomendado é o transporte HTTP:
# Servidor remoto (exemplo: Notion)
claude mcp add --transport http notion https://mcp.notion.com/mcp
# Servidor local por stdio: as opções vêm antes do nome e o "--" separa o comando do servidor
claude mcp add --env AIRTABLE_API_KEY=SUA_CHAVE --transport stdio airtable -- npx -y airtable-mcp-serverGerencie com claude mcp list, claude mcp get <nome> e claude mcp remove <nome>; dentro da sessão, /mcp mostra o status e faz o login OAuth. O --scope define onde a configuração vive: local (padrão, só você neste projeto), project (.mcp.json versionado, para o time) ou user (você, em todos os projetos). Chave de API nunca vai no .mcp.json versionado.
Como adicionar um MCP server no Claude Desktop e no claude.ai?
Há dois caminhos (Central de Ajuda da Anthropic):
- Servidor remoto (conector personalizado): nos planos Pro e Max, vá em Customize > Connectors, clique em "+" e escolha "Add custom connector"; informe a URL do servidor e, se necessário, as credenciais OAuth nas configurações avançadas. Em Team e Enterprise, quem adiciona é o dono da organização, em Organization settings > Connectors. O plano gratuito também aceita conectores personalizados, limitado a um.
- Servidor local (stdio): edite o arquivo
claude_desktop_config.json(no macOS, em~/Library/Application Support/Claude/; no Windows, em%APPDATA%\Claude\) e reinicie o aplicativo:
{
"mcpServers": {
"weather": {
"command": "uv",
"args": ["--directory", "/CAMINHO/ABSOLUTO/weather", "run", "weather.py"]
}
}
}Como adicionar um MCP server no Cursor?
O Cursor lê a configuração de .cursor/mcp.json (vale para o projeto) ou de ~/.cursor/mcp.json (vale para todos os projetos) (docs do Cursor):
{
"mcpServers": {
"meu-servidor-local": {
"command": "npx",
"args": ["-y", "nome-do-pacote-mcp"],
"env": { "API_KEY": "${env:MINHA_API_KEY}" }
},
"meu-servidor-remoto": {
"url": "https://exemplo.com/mcp",
"headers": { "Authorization": "Bearer ${env:MEU_TOKEN}" }
}
}
}A sintaxe ${env:NOME} lê a variável do sistema, para versionar o arquivo sem expor a chave. Há instalação em um clique pelo Marketplace e pelo cursor.directory, e por padrão o Cursor pede aprovação antes de cada ferramenta MCP.
Como adicionar um MCP server no Codex?
O Codex, da OpenAI, compartilha a mesma configuração entre o Codex CLI, a extensão de IDE e o app desktop do ChatGPT (docs do Codex):
# Servidor local, com variáveis de ambiente
codex mcp add context7 --env MINHA_VAR=valor -- npx -y @upstash/context7-mcp
# Login em servidor remoto que usa OAuth
codex mcp login <nome-do-servidor>Ou direto em ~/.codex/config.toml:
[mcp_servers.context7]
command = "npx"
args = ["-y", "@upstash/context7-mcp"]
[mcp_servers.meu_remoto]
url = "https://mcp.exemplo.com"
bearer_token_env_var = "MEU_TOKEN"No terminal, /mcp mostra os servidores ativos. As chaves enabled_tools e disabled_tools ligam só parte das ferramentas de um servidor.
Parte 5: O MCP é seguro?
O protocolo é tão seguro quanto os servidores que você instala e as permissões que você concede. A própria especificação admite que o MCP não consegue impor seus princípios de segurança no nível do protocolo: host, servidor e usuário precisam fazer sua parte. Quatro pontos cobrem quase todos os riscos.
1. O servidor roda sob as suas credenciais
Um MCP server local é um programa executado na sua máquina com os mesmos privilégios do aplicativo que o iniciou. O guia oficial de boas práticas (Security Best Practices) lista o risco direto: execução arbitrária de código, sem visibilidade do que roda. Um comando de instalação malicioso pode, na mesma linha, instalar o pacote e enviar seus arquivos para fora. E o servidor usa as chaves que você entrega: se a chave pode estornar ou sacar, a IA conectada também pode.
2. Descrições de ferramentas são texto que o modelo obedece
Em abril de 2025, a Invariant Labs demonstrou o tool poisoning: instruções maliciosas escondidas na descrição de uma ferramenta, visíveis para o modelo e não para o usuário, capazes de levá-lo a vazar dados (Invariant Labs). Uma variação é o rug pull: o servidor muda a descrição depois da sua aprovação. A especificação manda tratar descrições de ferramentas como não confiáveis, a menos que venham de servidor confiável.
3. Conteúdo externo pode carregar ordens escondidas
Mesmo um servidor honesto pode trazer para a conversa um texto escrito por um atacante: uma issue, uma página, um e-mail. Em maio de 2025, a Invariant Labs mostrou uma issue maliciosa num repositório público levando uma IA conectada ao servidor do GitHub a vazar dados de repositórios privados (Invariant Labs). Não era bug no código do servidor, e sim uma configuração que dava à IA, ao mesmo tempo, conteúdo controlável pelo atacante e dados privados. Simon Willison resume a combinação perigosa em três ingredientes: dados privados, conteúdo não confiável e canal para enviar informação para fora (simonwillison.net). Com os três na mesma sessão, injeção de prompt vira vazamento.
4. Servidores remotos e escopos têm riscos próprios
Para quem constrói servidores remotos, o guia oficial detalha confused deputy em proxies de OAuth, repasse de tokens não emitidos para o servidor (proibido pela especificação) e SSRF na descoberta de metadados. E recomenda escopos progressivos: começar só com leitura e pedir mais permissão quando uma operação sensível for tentada, porque um token com permissão total, quando vaza, vaza tudo.
Boas práticas para quem usa MCP
- Instale só de fontes verificáveis: o site ou repositório oficial do serviço, ou o registro oficial. Desconfie de pacote com nome parecido com o de uma marca.
- Mantenha a aprovação ligada para ferramentas que escrevem, apagam ou enviam algo, e leia os argumentos antes de aprovar. "Permitir sempre" só para leitura em servidor confiável.
- Use a chave mais fraca que resolve: leitura quando só precisa ler, chave de sandbox enquanto testa, modo somente leitura quando existir (o GitHub tem
--read-only). - Separe sessões: não junte, na mesma sessão, um servidor que lê conteúdo público e outro que mexe em dado sensível ou dinheiro.
- Chave fora do chat e do git: credencial vai em variável de ambiente. Se desconfiar de vazamento, gere outra no painel.
Parte 6: Como criar um MCP server?
Os SDKs oficiais (Python, TypeScript, Java, Kotlin, C# e outros) transformam uma função comum numa ferramenta, gerando nome, descrição e schema a partir do código. Os exemplos abaixo seguem o tutorial oficial Build an MCP server da versão 2026-07-28 e expõem uma ferramenta útil em pagamentos: converter um valor escrito por uma pessoa em centavos, o formato que as APIs esperam.
Esqueleto em Python
Instale o SDK num projeto gerenciado pelo uv:
uv init centavos && cd centavos
uv add "mcp[cli]"Crie server.py:
from decimal import Decimal
from mcp.server import MCPServer
mcp = MCPServer("centavos")
@mcp.tool()
def reais_para_centavos(valor: str) -> str:
"""Converte um valor em reais escrito por uma pessoa (ex.: "R$ 1.234,56") em centavos inteiros.
Args:
valor: Valor em reais, com vírgula como separador decimal
"""
limpo = valor.replace("R$", "").replace(".", "").replace(",", ".").strip()
return str(int(Decimal(limpo) * 100))
if __name__ == "__main__":
mcp.run(transport="stdio")A docstring vira a descrição que o modelo lê e o tipo do parâmetro vira o schema: escreva a docstring pensando no modelo.
Esqueleto em TypeScript
npm install @modelcontextprotocol/server zod
npm install -D @types/node typescriptimport { McpServer } from "@modelcontextprotocol/server";
import { StdioServerTransport } from "@modelcontextprotocol/server/stdio";
import { z } from "zod";
const server = new McpServer({ name: "centavos", version: "1.0.0" });
server.registerTool(
"reais_para_centavos",
{
description: 'Converte um valor em reais (ex.: "R$ 1.234,56") em centavos inteiros',
inputSchema: z.object({
valor: z.string().describe("Valor em reais, com vírgula como separador decimal"),
}),
},
async ({ valor }) => {
const limpo = valor.replace("R$", "").replace(/\./g, "").replace(",", ".").trim();
const centavos = Math.round(Number(limpo) * 100);
return { content: [{ type: "text", text: String(centavos) }] };
}
);
async function main() {
const transport = new StdioServerTransport();
await server.connect(transport);
console.error("Servidor MCP rodando em stdio");
}
main();A configuração de package.json e tsconfig.json para compilar está no tutorial oficial.
A armadilha número um: não escreva em stdout
Num servidor stdio, a saída padrão é o canal do protocolo. Um print() em Python ou um console.log() em Node corrompe as mensagens JSON-RPC e quebra o servidor. Registre logs em stderr (console.error() no Node). A documentação oficial repete o aviso em todas as linguagens.
Como testar e conectar o servidor
- Teste isolado no MCP Inspector, ferramenta oficial que lista e chama as ferramentas sem modelo no meio.
- Conecte num host, por exemplo:
claude mcp add centavos -- uv --directory /caminho/absoluto/centavos run server.py. - Peça em linguagem natural ("quanto é R$ 1.234,56 em centavos?") e confira a chamada
reais_para_centavosantes de aprovar.
O que separa um servidor bom de um perigoso?
- Ferramentas específicas, não genéricas: "criar_link_de_cobranca" em vez de "chamar_qualquer_endpoint". Schema estreito é fácil de auditar e limita o estrago de uma injeção.
- Descrições escritas para o modelo: ele escolhe pelo texto; descrição vaga gera chamada errada.
- Tipos rígidos: enum para valores fechados, inteiro para dinheiro em centavos.
- Local ou remoto: stdio fica restrito à máquina de quem instala; Streamable HTTP atende muitos usuários e exige autenticação (a especificação recomenda OAuth).
Parte 7: O ecossistema de MCP servers
Onde encontrar MCP servers?
- Registro oficial do MCP (modelcontextprotocol.io/registry): metadados centralizados de servidores públicos, apoiado por Anthropic, GitHub, PulseMCP e Microsoft, ainda em prévia. Guarda metadados, não código (o pacote segue no npm, PyPI ou Docker Hub). Os nomes seguem DNS reverso (
io.github.usuario/servidor) e só o dono verificado da conta ou do domínio publica naquele espaço, o que dificulta servidor falso com nome de marca. - Servidores de referência (github.com/modelcontextprotocol/servers): implementações de exemplo mantidas pelo projeto, como o servidor de sistema de arquivos.
- Marketplaces dos hosts: o Cursor tem Marketplace e o cursor.directory; o Claude tem o diretório de conectores. Eles consomem o registro oficial e adicionam curadoria.
Observação honesta: o registro delega a varredura de segurança aos registros de pacotes e aos marketplaces. Estar listado prova quem publicou, não que o código é seguro.
Quais são os MCP servers mais conhecidos?
| Servidor | Como conecta | O que vale notar | Fonte |
|---|---|---|---|
| GitHub | Remoto em https://api.githubcopilot.com/mcp/ ou local via Docker (ghcr.io/github/github-mcp-server) | Conjuntos de ferramentas configuráveis e modo --read-only | github/github-mcp-server |
| Stripe | Remoto em mcp.stripe.com, com OAuth | Chaves específicas para uso por IA e confirmação humana para operações como estorno | docs.stripe.com/mcp |
| Notion | Remoto em https://mcp.notion.com/mcp | Exemplo usado na própria documentação do Claude Code | code.claude.com |
| Sentry | Remoto, via Streamable HTTP | Citado na documentação oficial como exemplo de servidor remoto | docs.sentry.io |
| Context7 | Local, npx -y @upstash/context7-mcp | Traz documentação atualizada de bibliotecas para o contexto | docs do Codex |
| Filesystem | Local, stdio | Servidor de referência para ler e escrever arquivos em pastas permitidas | modelcontextprotocol/servers |
Verificado em setembro/2026.
Quais gateways de pagamento brasileiros têm MCP?
Em setembro de 2026, têm MCP server oficial: Asaas (docs.asaas.com/mcp), Efí (github.com/efipay/mcp-server-efi) e AbacatePay, além do Stripe, cujo Pix no Brasil é só por convite. O do HeroPay está em desenvolvimento; até ele sair, a integração com IA no HeroPay passa pelo llms.txt e pela API REST. Compare o que cada MCP expõe e o preço de cada cobrança que a IA vai criar: veja a comparação Stripe vs HeroPay e o ranking de melhores gateways de pagamento.
Parte 8: O caso pagamentos, e onde o HeroPay está hoje
Pagamento é o teste mais duro para um MCP server, porque o erro não é um arquivo mal formatado: é dinheiro. Antes de conectar o MCP de qualquer gateway (os da Parte 7, como Stripe, Asaas, Efí e AbacatePay), confira se ele segue as regras deste guia.
O que um MCP de pagamentos bem desenhado aplica:
| Princípio de segurança | O que conferir no servidor |
|---|---|
| Ferramentas específicas, não genéricas | Ferramentas fechadas (criar link, consultar vendas), sem ferramenta que chame qualquer endpoint |
| Limitar o estrago de uma injeção de prompt | Nenhuma ferramenta que tire dinheiro da conta sem confirmação: saque e estorno fora do servidor ou atrás de aprovação humana |
| Tipos rígidos | Valores com tipo declarado, de preferência inteiros em centavos: 19700 é R$ 197,00 |
| Testar sem risco | Chave de sandbox no dia a dia; produção só depois de revisar |
| O servidor roda sob as suas credenciais | Chave em variável de ambiente, nunca colada no chat; se vazar, gere outra no painel |
O HeroPay hoje. O MCP server do HeroPay está em desenvolvimento. O caminho que funciona hoje, em qualquer ferramenta (Claude, ChatGPT, Cursor, Lovable e outros), é o llms.txt: cole https://heropay.ai/llms.txt e o link da documentação no chat, e a IA escreve no seu código a integração com a API REST, com a chave no servidor e o webhook validado pelo header X-HeroPay-Signature (HMAC SHA-256 do corpo bruto). Para conferir o contrato real sem MCP, peça à IA um curl contra o sandbox e mostre a resposta a ela. O passo a passo por ferramenta está em Claude, Cursor e Lovable, e o panorama em /ai.
Quanto custa. O HeroPay não cobra pelo llms.txt, pelo sandbox nem por chamada de API. Você paga só as vendas aprovadas: Pix R$ 0, boleto R$ 0 e cartão 3,49% por transação aprovada, em até 12x, sem mensalidade. Numa venda de R$ 197 no Pix, você recebe R$ 197. Veja a tabela completa em preços.
Coloque em prática
- Instale um MCP server de leitura primeiro, como o Context7 ou o GitHub em modo
--read-only, para ver o ciclo listar, decidir, aprovar e executar sem risco. - Crie o esqueleto deste guia em Python ou TypeScript e teste no MCP Inspector.
- Integre pagamentos no sandbox. Crie a conta, guarde a chave de teste em variável de ambiente, cole o
llms.txtdo HeroPay na sua ferramenta de IA e peça o primeiro link de cobrança em português:
Criar conta sandbox Ler a documentação
Mitos e verdades sobre MCP
"MCP é coisa só do Claude." Mito. A Anthropic criou o protocolo, mas ele está na Linux Foundation desde dezembro de 2025 e é suportado por ChatGPT, Codex, Cursor, VS Code, Gemini, Copilot e outros.
"Com MCP, a IA aprende a usar o sistema." Mito. O modelo não é retreinado. Ele recebe, na hora, a lista de ferramentas com descrição e parâmetros, e decide com base nesse texto.
"MCP substitui a API." Mito. A maioria dos MCP servers chama a API do serviço por baixo. O produto que atende clientes continua usando API e SDK; o MCP é para a IA operar e prototipar.
"Se está no registro oficial, é seguro." Mito. O registro verifica quem publicou (conta do GitHub ou domínio), não audita o código. Segurança continua sendo sua avaliação.
"Injeção de prompt é teórica." Mito. Há demonstrações públicas com servidores reais desde 2025, incluindo vazamento de repositórios privados.
"Dá para criar um MCP server em uma tarde." Verdade, para um servidor local simples. Um servidor remoto para muitos usuários, com OAuth e escopos, é outro projeto.
Glossário do tema
- MCP (Model Context Protocol): padrão aberto que define como aplicativos de IA descobrem e usam ferramentas e dados de sistemas externos.
- MCP server: programa que expõe tools, resources e prompts para aplicativos de IA via MCP.
- stdio e Streamable HTTP: os dois transportes oficiais, o primeiro para servidores locais, o segundo para remotos.
- JSON-RPC: formato leve de requisição e resposta em JSON usado pelas mensagens do MCP.
- Tool poisoning: ataque em que instruções maliciosas ficam escondidas na descrição de uma ferramenta.
- Injeção de prompt: instrução maliciosa inserida em conteúdo que a IA lê, para desviá-la do pedido do usuário.
- llms.txt: arquivo de texto com a documentação de um serviço escrita para ser lida por uma IA.
Perguntas frequentes
O que é MCP server, em uma frase?
Um MCP server é um programa que declara, no formato padrão do Model Context Protocol, as ferramentas, os dados e os modelos de prompt que um sistema oferece a aplicativos de IA, com nome, descrição e parâmetros de cada item. Conectado ao Claude Code, ao Cursor ou ao Codex, ele deixa o modelo usar essas capacidades na conversa, sempre com a sua autorização. Pode rodar na sua máquina ou na infraestrutura da empresa dona do serviço.
Para que serve o MCP na prática?
Serve para a IA sair da conversa e agir nos seus sistemas: o Claude Code consulta seu banco, o Cursor abre uma issue no GitHub, o Codex lê a documentação atual de uma biblioteca, um assistente cria um link de cobrança no seu gateway. Sem MCP, você copiaria dados para o chat e faria as ações à mão. Para quem integra, o ganho é escrever um servidor uma vez e ele funcionar em qualquer aplicativo compatível.
Qual a diferença entre MCP e function calling?
Function calling é o recurso da API do modelo que devolve um pedido estruturado para chamar uma função; quem define e executa as funções é o código do seu app, a cada requisição. MCP padroniza de onde as funções vêm: o dono do sistema publica um servidor e qualquer aplicativo compatível descobre as ferramentas com tools/list. Os dois se somam, porque o host entrega ao modelo, via function calling, as ferramentas que recebeu via MCP.
MCP é gratuito?
O protocolo é aberto e gratuito: especificação, SDKs oficiais e registro são públicos, mantidos em código aberto sob a Agentic AI Foundation, da Linux Foundation. Os custos ficam nas pontas. O aplicativo de IA tem o seu plano (o Claude Code exige plano pago do Claude ou créditos da API) e o serviço por trás do servidor pode cobrar pelo uso. No HeroPay, o llms.txt, o sandbox e a API não têm custo, e você paga só as vendas aprovadas, com Pix e boleto a R$ 0. O MCP do HeroPay está em desenvolvimento.
O MCP funciona no plano gratuito do Claude?
Em parte. No claude.ai e no Claude Desktop, o plano gratuito aceita conectores personalizados, que são servidores MCP remotos, limitado a um conector, segundo a Central de Ajuda da Anthropic (verificado em setembro de 2026). Já o Claude Code, onde funciona o comando claude mcp add, exige plano pago (Pro, Max, Team ou Enterprise) ou créditos da API. Para quem está no gratuito e quer integrar um serviço, o llms.txt é uma alternativa que não depende de MCP.
Como criar um MCP server do zero?
Escolha um SDK oficial, crie o servidor e registre cada ferramenta como uma função. Em Python, com from mcp.server import MCPServer, decore a função com @mcp.tool() e rode mcp.run(transport="stdio"): a docstring vira a descrição e os tipos viram o schema. Em TypeScript, use McpServer do pacote @modelcontextprotocol/server e registerTool com schema zod. Teste no MCP Inspector e nunca escreva em stdout num servidor stdio.
O que é um MCP server local e um remoto?
O local roda na sua máquina, iniciado pelo próprio aplicativo de IA, e conversa pelo transporte stdio. Atende só você e enxerga o que o seu usuário do sistema enxerga. O remoto roda na infraestrutura de quem o oferece e é acessado pela internet via Streamable HTTP, atendendo muitos usuários, em geral com OAuth ou token. GitHub, Stripe, Notion e Sentry têm servidores remotos. Local é mais simples de criar; remoto, de instalar e manter atualizado.
O MCP é seguro para usar com dados da empresa?
Pode ser, com critério. O protocolo exige que o host peça consentimento antes de cada ferramenta, mas não impõe segurança sozinho. Os riscos reais: o servidor local roda com os seus privilégios, descrições de ferramentas podem esconder instruções e conteúdo externo pode trazer injeção de prompt. Use servidores oficiais dos fornecedores, credenciais de menor escopo, modo somente leitura quando existir, aprovação ligada para escrita e sessões separadas para conteúdo público e dado sensível.
Uma IA com MCP pode fazer pagamentos sozinha?
Depende do desenho do servidor e da chave que ele recebe. Se o servidor expõe uma ferramenta que movimenta dinheiro e a chave tem essa permissão, a IA pode chamá-la, e a única barreira é a sua aprovação. Por isso servidores de pagamento responsáveis limitam o que expõem. O Stripe exige confirmação humana para operações como estorno. Antes de conectar um MCP de pagamento, leia a lista de ferramentas e prefira servidores sem ferramenta que tire dinheiro da conta.
Quais ferramentas de IA suportam MCP?
Segundo a documentação oficial do protocolo, Claude, ChatGPT, Visual Studio Code, Cursor e MCPJam, entre muitas outras. Claude Code, Claude Desktop e Codex (CLI, extensão de IDE e app desktop do ChatGPT) têm suporte nativo, com os comandos deste guia. No anúncio da Agentic AI Foundation, em dezembro de 2025, a Anthropic citou também Gemini e Microsoft Copilot. Geradores de app como Lovable, v0 e Bolt variam; para eles, o llms.txt costuma ser o caminho mais simples.
Onde encontro MCP servers confiáveis?
Comece pela documentação oficial do serviço que você quer conectar: GitHub, Stripe, Notion e Sentry documentam seus servidores ali. Depois, o registro oficial do MCP, em prévia, lista servidores públicos com espaço de nomes verificado por conta do GitHub ou domínio, o que dificulta servidor falso com nome de marca. Os marketplaces do Cursor e o diretório de conectores do Claude acrescentam curadoria. Nenhum deles audita o código a fundo: leia o comando antes de instalar.
MCP substitui API e SDK?
Não. O MCP é uma camada para a IA usar um serviço durante uma conversa; API e SDK continuam sendo a base de qualquer produto que roda sozinho. Um checkout para milhares de clientes, uma rota de webhook que libera acesso ou uma rotina agendada não podem depender de alguém digitando num chat. A regra prática: MCP para operar e prototipar, SDK e API para produção. O fluxo mais produtivo usa o MCP para descobrir o formato e pede à mesma IA o código definitivo.
Continue aprendendo
- HeroPay para quem constrói com IA: llms.txt, API e MCP em desenvolvimento
- Aceite pagamentos no Claude · no Cursor · no Lovable
- HeroPay para desenvolvedores
- Webhooks assinados: confie no evento, não no polling
- Link de pagamento
- Segurança no HeroPay
- Preços · Glossário
Fontes e verificação
Todas as fontes consultadas em 23 de setembro de 2026.
- Model Context Protocol, introdução: modelcontextprotocol.io/docs/getting-started/intro
- Arquitetura (versão 2026-07-28): modelcontextprotocol.io/docs/learn/architecture
- Especificação vigente e princípios de segurança: modelcontextprotocol.io/specification/latest
- Boas práticas de segurança: modelcontextprotocol.io/docs/tutorials/security/security_best_practices
- Tutorial oficial de servidor: modelcontextprotocol.io/docs/develop/build-server
- Registro oficial: modelcontextprotocol.io/registry/about
- Anthropic, lançamento do MCP (25/11/2024): anthropic.com/news/model-context-protocol
- Anthropic, doação à Agentic AI Foundation (dez/2025): anthropic.com/news/donating-the-model-context-protocol-and-establishing-of-the-agentic-ai-foundation
- Linux Foundation, criação da AAIF: linuxfoundation.org
- Claude Code, MCP: code.claude.com/docs/en/mcp
- Claude, conectores personalizados: support.claude.com
- Cursor, MCP: cursor.com/docs/context/mcp
- Codex, MCP: learn.chatgpt.com/docs/extend/mcp
- GitHub MCP server: github.com/github/github-mcp-server
- Stripe MCP: docs.stripe.com/mcp
- Invariant Labs, tool poisoning (abr/2025): invariantlabs.ai · GitHub MCP (mai/2025): invariantlabs.ai
- Simon Willison, injeção de prompt em MCP: simonwillison.net